Assessor de Agnelo deixa cargo após ser citado em grampo da PF
Claudio Monteiro nega ter favorecido grupo ligado a Carlinhos
Cachoeira.
Gravação feita em 2011 foi revelada pelo Jornal Nacional nesta
terça-feira.
O chefe de gabinete do governador do Distrito
Federal, Agnelo Queiroz, Claudio Monteiro, anunciou sua saída do cargo na noite
desta terça-feira (10). O anúncio ocorre depois de o Jornal Nacional, da TV
Globo, revelar trechos de gravações feitas pela Polícia Federal que apontam a
suposta ligação de Monteiro com o grupo de Carlinhos Cachoeira, suspeito
de comandar esquema de jogo ilegal em Goiás.
Monteiro disse que ligou para o governador logo
após a exibição da reportagem
do Jornal Nacional e que Agnelo aceitou sua saída. Segundo Monteiro, o
governador teria deixado aberta a possibilidade de ele retornar ao cargo após o
fim das investigações, uma vez provada sua inocência no caso.
“A pior coisa que tem é você ser premido pelo cargo e impossibilitado de
tomar um conjunto de providências. Eu tinha dois cargos que acumulava aqui –
chefe de gabinete e secretário-executivo da Copa. Meu nome foi levado a isso por
pessoas com quem não tenho contato”, disse ao G1.
Na gravação, dois integrantes da quadrilha discutem o pagamento de uma mesada
para ter benefícios em contratos milionários no setor de limpeza pública.
Monteiro nega ter favorecido o grupo.
Ele disse que pretende processar a PF e as pessoas que o citaram na gravação.
“Ou a Polícia Federal apurou e aquilo não foi praticado ou apurou e não tomou
providencia, o que é prevaricação.”
A gravação mostra o diálogo entre o então diretor da Construtora Delta na
região Centro-Oeste, Claudio Abreu, para Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, um
dos principais auxiliares de Carlinhos Cachoeira.
Segundo a polícia, os dois falam sobre a nomeação de um aliado da quadrilha
na direção do Serviço de Limpeza Urbana de Brasília (SLU), área de interesse da
Delta. Eles citam dois nomes: Marcelão, que seria o ex-assessor da Casa Militar
do GDF, Marcello Lopes, e Claudio Monteiro.
O trecho indica a suposta indicação de João Monteiro para a direção do
Serviço de Limpeza Urbana (SLU) do Distrito Federal. Segundo a investigação,
Dadá e Claudio Abreu acertam o pagamento de R$ 20 mil mais uma mesada mensal de
R$ 5 mil a Claudio Monteiro pela indicação do nome de interesse do grupo para o
cargo no SLU.
“Não tenho nenhuma participação na indicação de João Monteiro para o SLU.
Mesmo tendo o mesmo sobrenome, não é meu parente”, disse Claudio Monteiro.
A PF não comprovou se o chefe de gabinete do GDF recebeu o dinheiro. A
apuração da polícia indica que a quadrilha esperava que João Monteiro
facilitasse negócios da Delta na coleta de lixo do DF. João Monteiro foi
exonerado do SLU no fim de março.
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Claudio Monteiro admitiu ter recebido no final do ano de 2011 o diretor da
Delta, mas negou envolvimento com irregularidades. “Eu recebi pessoas para
tratar sobre o aterro, o lixão. Recebi um diretor regional de uma empresa
conceituada, não recebi qualquer um, não. Na função de servidor público, recebi
um diretor de uma empresa. Não recebi nenhum bandido, nenhum malfeitor”,
afirmou.
Contratos
Atualmente, a Delta tem dois contratos na área
de limpeza pública do DF, no valor total de R$ 470 milhões. Os contratos foram
fechados antes de Agnelo assumir o GDF.
O ex-diretor do SLU, João Monteiro, disse que nunca teve contato com a
quadrilha nem facilitou negócios para a empresa Delta. A Delta declarou não ter
qualquer relação imprópria com João Monteiro e reafirmou que afastou Claudio
Abreu por causa das ligações com Cachoeira.
Marcello Lopes não comentou as denúncias. O advogado de Idalberto Matias de
Araújo disse que só vai se pronunciar quando tiver acesso ao inquérito.
Claudio Monteiro disse que vai à Justiça pedir reparação. “Abri mão de meus
sigilos bancário, fiscal e telefônico. Agora espero resposta da Justiça”, disse.
“Livre da função, eu posso buscar as barras da Justiça para processar quem eu
acho que deve ser processado, para que provem as acusações que fizeram contra
mim.”
Conselho de Ética abre processo para apurar caso Demóstenes
Antonio Carlos Valadares tomou posse nesta terça (10) como
presidente.
Demóstenes Torres terá 10 dias úteis para apresentar defesa ao
conselho.
O novo presidente do Conselho de Ética, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), aceitou na tarde desta terça-feira (10) a representação do PSOL contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e abriu processo para verificar se houve quebra de decoro parlamentar, o que pode levar à perda do mandato.
Demóstenes será investigado por denúncias de que usou seu mandato para beneficiar o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal sob suspeita de chefiar uma quadrilha de jogo ilegal. Devido às denúncias, Demóstenes deixou a lidenraça do DEM na Casa e se desfiliou do partido.
"Acato a presente representação. Determinando seu registro e a notificação do representado para que no prazo de 10 dias úteis contados da intimação pessoal ou por intermédio do seu gabinete apresente sua defesa prévia", disse o presidente do conselho.
TramitaçãoOferecida a defesa, o relator apresentará relatório preliminar, no prazo de até cinco dias úteis, e o Conselho, também em até cinco dias úteis, realizará análise inicial do mérito da representação, onde se examinará se há indícios de prática de ato que possa sujeitar o senador à perda do mandato.
Após essa fase, o denunciado terá três dias úteis para apresentar as alegações finais. Após esse prazo, o relator finalizará seu relatório, que será apreciado pelo Conselho em até dez dias úteis.
Em caso de indicação para a perda do mandato, o parecer do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar será encaminhado à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania para exame dos aspectos constitucional, legal e jurídico, o que deverá ser feito no prazo de 5 cinco sessões ordinárias.
Concluída a tramitação no Conselho de Ética e na Comissão de Constituição e Justiça, o processo será encaminhado à Mesa Diretora e, depois de lido no expediente, será publicado no "Diário do Senado Federal" e distribuído em avulsos para inclusão na ordem do dia. A cassação, se for indicada, precisa ser aprovada em plenário.
RelatorApesar da abertura do processo no Conselho de Ética, foi adiada para a próxima quinta-feira (12), às 10h, a escolha do relator para o processo. A escolha será mediante sorteio, de acordo com o novo presidente do conselho.
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Valadares afirmou que tomou uma atitude "importante" ao aceitar o pedido. "Eu já fiz a coisa mais importante, aceitar a representação. O processo tem início aqui", disse o novo presidente. Ao final da sessão, Valadares disse que Demóstenes não tem mais como escapar de um eventual processo de cassação.
"O clima aqui no Senado, que antes era de torcida para que não fossem verdadeiras as acusações hoje é de inteira decepção e frieza com o nome do Demóstenes Torres [...] Não há mais como [Demóstenes] escapar de um processo de cassação", disse Valadares.
A partir da abertura do processo, Demóstenes terá 10 dias úteis para prestar explicações prévias ao Conselho. Valadares afirmou que espera que Demóstenes preste explicações pessoalmente ao grupo. O senador Demóstenes Torres não vai ao Senado há cerca de três semanas, desde o dia 20 de março, no auge das denúncias.
CPI mista
O líder do PSOL no Senado, Randolfe Rodrigues (AP), anunciou no começo da tarde desta terça, durante reunião do Conselho de Ética, que teve início a coleta de assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o elo entre parlamentares e Cachoeira.
Para que o pedido de instalação da CPI seja protocolado junto à Mesa do Senado, é necessária a coleta de 27 assinaturas dos 81 senadores. Para a CPMI, são necessárias mais 171 assinaturas de deputados federais.
Segundo Randolfe, já assinaram o requerimento ele próprio, o senador Pedro Taques (PDT-MT), a senadora Ana Amélia (PP-RS) e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).
"É em um momento de crise como este que a nossa democracia se afirma. Coloco o requerimento à disposição para que conseguindo o número de assinaturas possamos instaurar a comissão parlamentar de inquérito", afirmou o senador.
O líder do governo no Congresso, José Pimentel (PT-CE), afirmou que a bancada do PT, formada por 13 senadores, assinará o requerimento que pede a criação da comissão. "Tiramos por unanimidade assinar a criação da CPI por ser uma matéria do Congresso Nacional", disse Pimentel.
O líder do PSDB, Alvaro Dias (PR), também colocou a posição do partido favorável à criação da comissão para investigar as relações do bicheiro preso pela Polícia Federal com parlamentares.
"Estamos juntos, queremos a investigação da CPI e depois voltaremos a falar de outras CPIs. Estamos aqui, em nome do nosso partido, para anunciar que vamos apoiar a criação da CPI", disse o tucano.
A ideia da criação da CPI foi fortalecida após o corregedor do Senado, Vital do Rêgo (PMDB-PB), anunciar que o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido de fornecer informações sobre a investigação que envolve o senador porque o inquérito corre em segredo de Justiça.
Segundo informou Vital do Rêgo, o Supremo alegou que, por conta do processo sigiloso, somente uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) poderia receber as informações.
"Se só uma CPI pode receber essas informações, então vamos buscar assinaturas para uma CPI. Vamos investigar esta arapongagem toda envolvendo Cachoeira, o senador [Demóstenes Torres] e outras pessoas mais", disse o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro.
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Segundo o secretário de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, a verba será usada na ampliação de consultórios de rua, de abrigos-modelo e de leitos em hospitais públicos para o tratamento de viciados. Será desenvolvido também, adiantou ele, um trabalho de acompanhamento de menores após o tratamento do vício. As equipes serão monitoradas e treinadas pela professora de psiquiatria da Uerj e ex-diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad/Uerj) Maria Thereza de Aquino.
— Precisamos ter um acompanhamento desses menores até a maior idade — diz Bethlem.
Especialistas: opiniões divididas
Há um ano em funcionamento, o programa de recolhimento de viciados da prefeitura fez 3.671 acolhimentos nas 77 operações realizadas, desde março do ano passado. Desse total, 552 são menores. Atualmente, há 119 menores abrigados compulsoriamente. A secretaria oferece quatro Centros Especializados de Atendimento à Dependência Química, que contam com 194 vagas para menores.
Apenas os menores são internados compulsoriamente. Os maiores são convidados a ir ao um centro de acolhimento e só fazem o tratamento de desintoxicação de forma espontânea. Muitos aceitam a ir aos centros, onde recebem alimentação, tomam banho, mas, quando chega a crise de abstinência, voltam às ruas.
— Defendo a internação compulsória do usuário. Os maiores recolhidos, sem tratamento, voltam para o vício após uma crise de abstinência. Recolher maiores é como enxugar gelo — admite Bethlem.
Favorável à política de internação compulsória de menores adotada pela prefeitura, Maria Thereza defende estender o atendimento aos familiares dos dependentes da droga:
— O pedido de socorro é também da família.
Com a experiência de quem dirigiu o Nepad por 25 anos, ela considera ainda fundamental que, após a internação, o ex-viciado seja acompanhado:
— O apelo do crack é imenso. Um paciente meu me disse: "o crack é a estação final; quem fuma não é mais dono de nada". É difícil se manter sem a droga, que tem seus atrativos. A pessoa precisa aprender a lidar com a frustração; a entender que nem tudo o que quer, ela pode. Ou seja, perceber que, a longo prazo, vai ter prazer, ganhar auto-estima, saúde.
O acolhimento compulsório divide os especialistas. O psiquiatra Marcelo Santos Cruz, que coordena o Programa de Estudos e Assistência ao Uso indevido de Drogas do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, por exemplo, é contrário ao método:
— Não podemos agir como perseguidores. Defendo ações de aproximação, a oferta de serviços de saúde e sociais para motivar os usuários. A pessoa tem que querer se tratar, para que o tratamento dê resultados. Algumas ações, realizadas por ONGs nas ruas, têm dado resultados.
Já a advogada Margarida Pressburger, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, não questiona a internação compulsória, mas o tratamento atual:
— As pessoas estão sendo acolhidas em casas que não têm estrutura para tratamento. Além disso, após a internação, o ex-viciado precisa de acompanhamento.
Membro do movimento Respeito é bom e eu gosto (Rebomeg), que defende políticas para pessoas com distúrbios psicossociais, Paulo Silveira também critica o tratamento oferecido:
— As casas da prefeitura teriam que oferecer ensino e educação continuados, o que não acontece. Além disso, o tratamento é feito por profissionais não qualificados. Há até casos de famílias que entraram na Justiça alegando que os filhos sofreram maus-tratos.
Já o comandante do 3º BPM (Méier), tenente-coronel Ivanir Linhares, sustenta a importância de campanhas:
— Deveria haver campanhas preventivas para mostrar às famílias o mal que o crack ocasiona
75% dos jovens infratores no Brasil são usuários de drogas, aponta CNJ
Roubo foi causa de 36% das internações pelo país, segundo
estudo.
Relatório sobre medidas socioeducativas foi divulgado nesta terça
(10).
Dos adolescentes internados em cumprimento de medidas socioeducativas no
Brasil, 75% são usuários de entorpecentes. O dado foi apresentado nesta
terça-feira (10) em um relatório divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça
(CNJ).
A pesquisa “Panorama Nacional, a Execução das Medidas Socioeducativas de
Internação” foi realizada pelo Departamento de Monitoramento e Fiscalização do
Sistema Carcerário (DMF) e pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ). O
levantamento foi realizado por uma equipe multidisciplinar que visitou, de julho
de 2010 a outubro de 2011, os 320 estabelecimentos de internação existentes no
Brasil, para analisar as condições de internação de 17.502 adolescentes que
cumprem medidas socioeducativas de restrição de liberdade. Durante estas
visitas, a equipe entrevistou 1.898 adolescentes internos.
Dos jovens entrevistados, 74,8% faziam uso de drogas ilícitas, sendo o
percentual ainda mais expressivo na Região Centro-Oeste, onde 80,3% dos
adolescentes afirmam ser usuários de drogas. Em seguida está a Região Sudeste,
com 77,5% de usuários.
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Dentre as substâncias utilizadas pelos adolescentes, a maconha foi a droga
mais citada (89%), seguida da cocaína (43%), com exceção da Região Nordeste, em
que o crack foi a segunda substância mais utilizada (33%). Aparecem no
levantamento ainda usuários de inalantes, medicamentos e LSD. De acordo com o
relatório, a alta incidência de uso de psicoativos pode estar relacionada à
ocorrência dos atos infracionais.
Segundo o CNJ, considera-se ato infracional toda conduta praticada por
criança ou adolescente definida como crime ou contravenção pelo Código Penal
brasileiro. Entre os atos infracionais mais comuns entre os adolescentes
internados estão crimes contra o patrimônio, como roubo e furto. De acordo com o
levantamento, 36% dos entrevistados afirmaram estar internados por roubo. Em
seguida aparece o tráfico de drogas (24%).
Ainda segundo o estudo, o crime de homicídio foi bastante expressivo em todas
as regiões do país, com exceção do Sudeste, onde o delito corresponde a 7% do
total. Nas regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sul os percentuais de
homicídio como motivo da atual internação dos jovens correspondem,
respectivamente, a 28%, 21%, 20% e 20%.
O estudo divulgado nesta terça aponta o roubo também como principal motivo de
internação entre os adolescentes reincidentes. O levantamento constata, porém,
que a ocorrência de homicídio na reiteração da prática infracional foi
aproximadamente três vezes superior à primeira internação, aumentando de 3% para
10% dos casos em âmbito nacional.
Entre os adolescentes entrevistados em cumprimento
de medida de internação, 43,3% já haviam sido internados ao menos uma outra vez,
segundo adiantou o Jornal O Globo na segunda-feira (9). Nas regiões
Nordeste e Centro-Oeste, 54% e 45,7% dos jovens, respectivamente, são
reincidentes; nas demais regiões o índice de reincidência entre os entrevistados
varia entre 38,4% e 44,9%. Há registros de reincidência em 54% dos 14.613
processos analisados no território nacional.
Perfil do adolescente infrator
De acordo com a pesquisa
divulgada pelo CNJ, a idade média dos adolescentes entrevistados é de 16,7 anos.
O maior percentual de internados observados pela pesquisa tem 16 anos, com
índices acima dos 30% em todas as regiões do país. O estudo aponta ainda que a
maioria dos adolescentes cometeu o primeiro ato infracional entre 15 e 17 anos
(47,5%). Considerando-se o período máximo de internação, o estudo revela que boa
parte dos jovens infratores alcança a maioridade civil e penal durante o
cumprimento da medida.
Quanto à escolaridade, 57% dos jovens declararam que não frequentavam a
escola antes da internação. Entre os entrevistados, apenas 8% afirmaram ser
analfabetos. Ainda assim, a última série cursada por 86% dos jovens pertencia ao
ensino fundamental.
No que diz respeito às relações familiares, o estudo aponta que 14% dos
jovens entrevistados têm filhos. Do total de adolescentes ouvidos no
levantamento, 43% foram criados apenas pela mãe, 4% pelo pai sem a presença da
mãe, 38% foram criados por ambos e 17% foram criados pelos avós.
Entre os aspectos comuns à maioria dos entrevistados, de acordo com a
pesquisa, estão a criação em famílias desestruturadas, a defasagem escolar e a
relação estreita com entorpecentes.
Criança recebe ácido ao invés de sedativo em BH, diz hospital
Direção da unidade de saúde reconhece e lamenta o erro.
Técnica de
enfermagem responsável pela troca de medicação foi afastada.
Está internada no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Felício Rocho,
em Belo
Horizonte, uma criança que foi medicada com ácido no Hospital São Camilo,
também na capital. A direção do São Camilo informou nesta terça-feira (10) que
reconhece e lamenta o erro ocorrido. O hospital também disse que a técnica de
enfermagem responsável pela troca de medicação foi afastada
temporariamente.
De acordo com o diretor do São Camilo, o médico José
Guerra, a criança deu entrada na unidade na noite de domingo (8) porque teria
batido a cabeça em casa. A equipe que atendeu o garoto indicou que fosse feita
uma tomografia. Segundo Guerra, para que o exame seja realizado é necessário que
o paciente tome um sedativo. Entretanto, no lugar deste medicamento, a técnica
de enfermagem teria dado um ácido para a criança.
O diretor do Hospital
São Camilo também informou que a criança sofreu queimadura na boca, o que
provoca dificuldades na alimentação. Segundo o médico, ela foi transferida para
que recebesse um tratamento mais especializado. Até as 21h30, o Hospital Felício
Rocho não havia informado o estado de saúde.
A Polícia Civil vai
investigar o caso.
Exames apontam alterações cerebrais em ator que se enforcou
Hospital afirma que não tem autorização para detalhar o
diagnóstico.
Tiago se enforcou acidentalmente durante apresentação teatral.
O
equipamento usado pelo ator, além das
roupas passam por perícia. (Foto:
Reprodução)
O boletim médico divulgado na tarde desta
terça-feira (10) pela equipe médica da Santa Casa de Itapeva aponta que o
jovem Tiago Klimeck, 27 anos, passou por exames de tomografia que apontaram
alterações. No entanto, o Hospital não tem autorização da família para divulgar
que tipo de alteração cerebral foi apontada no exame. Ele continua em coma e em
estado grave, respirando com a ajuda de aparelhos.
Na última sexta-feira (06), o rapaz, que
representava Judas na encenação da Paixão de Cristo em Itararé (SP), sofreu
enforcamento acidental na cena da morte do personagem. O jovem ficou
aproximadamente quatro minutos desacordado até que alguém percebesse que ele
estava realmente enforcado.
O rapaz está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de
Itapeva (SP). De acordo com o clínico geral da Unidade, o médico Mazen Aidar,
Tiago sofreu uma asfixia mecânica que levou a falta de oxigênio no cérebro
(hipóxia) grave e prolongada.
Os riscos da falta de oxigênio
O G1
entrevistou o neurocirurgião Mauri Rodrigues, de Itapetininga (SP), para
entender o que significa a falta de oxigênio no cérebro. De acordo com o
especialista, as vítimas de sufocamento podem apresentar quadros de alterações
motoras e cognitivas. Segundo isso acontece porque com a falta de oxigênio no
cérebro, células cerebrais sofrem degeneração ou até mesmo morrem.
O médico explicou que, quando ocorrem danos cognitivos, o paciente apresenta
perda de memória, déficit de atenção e debilidade nos movimentos. “Isso depende
da área afetada no cérebro". Ele ressalta ainda que em casos mais graves, o
danos pode levar o paciente ao coma vegetativo.'"Nos casos de coma vegetativo, a
pessoa não come, não fala e não anda”, relata. Por outro lado, ele afirma que há
casos em que o paciente não apresenta nenhuma sequela.
De acordo com o especialista, os pacientes que sofrem sufocamento devem ser
avaliados com muito cuidado. “Um enforcamento, por exemplo, depende do grau da
hipóxia (falta de oxigênio no cérebro), por isso as sequelas variam de pessoa
para pessoa. O exame para diagnosticar possíveis sequelas é a tomografia e os
sinais neurológicos analisados por um especialista”.
O G1 comentou sobre o caso de Tiago com o neurocirurgião.
Mauri explica que o fato de Tiago estar há mais de dois dias sem medicação para
mantê-lo sedado, pode indicar que o cérebro está poupando atividade. “Quando uma
pessoa não está sedada, é quando o cérebro está poupando atividade cerebral
devido à sobrecarga de ação na hora que houve o sufocamento”, afirma.
Mauri afirma ainda que, quando a vítima é uma pessoa jovem, a falta de
oxigênio pode ficar alojada em vários locais do cérebro. “É importante destacar
que as situações variam em cada paciente e o tempo que a pessoa ficou sem
oxigenação”, ressalta o neurocirurgião.MATERIAS VINCULADAS NO GLOBO.COM
roupas passam por perícia. (Foto: Reprodução)
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